Biocombustíveis

Brasil: protagonista da transição do transporte internacional

Especialistas discutem em seminário como transformar vantagens comparativas em competitivas no setor de biocombustíveis sustentáveis.

Redação TN Petróleo/Assessoria CEBDS
08/07/2025 15:04
Brasil: protagonista da transição do transporte internacional Imagem: Lucas Teixeira/RT Fotografia Visualizações: 3227

Na foto: Abrão Neto, Maria Netto, Marina Grossi, Izabella Teixeira e Cláudia Trevisan.

O Brasil possui vantagens comparativas claras na produção de biocombustíveis sustentáveis, com grande disponibilidade de matéria-prima, know-how no setor e condições geográficas favoráveis. O grande desafio, no entanto, é transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas no mercado de transporte internacional. Esse foi um dos temas centrais do seminário "Biocombustíveis Sustentáveis para Transporte Internacional – Alinhando oportunidades reais a políticas globais", realizado no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (7/07). O evento destacou a importância de o país superar barreiras comerciais, regulatórias e metodológicas, como a quantificação do uso da terra e a dupla contagem de créditos de sustentabilidade, para garantir que os biocombustíveis brasileiros sejam competitivos e aceitos nos mercados globais.

Especialistas e líderes empresariais debateram durante o encontro como o Brasil pode avançar na descarbonização do transporte internacional, propondo soluções inovadoras para desafios como a ampliação da experiência com o sistema Book and Claim e a criação de uma regulação robusta para garantir investimentos. O evento enfatizou ainda que, para o país assumir o papel de protagonista no mercado global de biocombustíveis, é necessário um esforço coordenado entre governo, academia e setor privado. Com investimentos adequados e parcerias estratégicas, o Brasil pode não apenas fornecer matéria-prima, mas também comercializar combustíveis finais sustentáveis para o transporte aéreo e marítimo em grande escala.

O seminário foi organizado por Instituto Clima e Sociedade (iCS), Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Conselho Empresarial Brasil China (CEBC) e Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). Os palestrantes destacaram ao longo de cinco painéis o desafio urgente de o setor de transportes aéreo e marítimo internacional descarbonizar as suas operações. De acordo com a International Energy Agency, com dados de 2024, a demanda por biocombustíveis sustentáveis deverá dobrar até 2030.

O Brasil, como segundo maior produtor global, com tecnologia, clima favorável e grande potencial para expansão do setor, tem oportunidade para contribuir para alavancar e acelerar essa transição em nível global. O encontro reuniu diferentes representantes da cadeia produtiva do setor – desde desenvolvedores de tecnologias e produtores de matérias-primas até demandantes finais, como companhias de navegação e de aviação. Essa conexão possibilita a construção de alianças e arquiteturas que apoiem a agenda nos principais fóruns internacionais.

Declaração conjunta
Ao final do evento, foi divulgada a "Declaração conjunta para Biocombustíveis Sustentáveis como solução para a descarbonização do transporte internacional", assinada por iCS, Amcham, CEBDS e CEBC. O documento destaca oportunidades, benefícios e impactos da agenda de biocombustíveis, além de apontar diretrizes recomendadas para uma agenda internacional.

A declaração foi entregue à enviada especial de Energia para a COP30, Elbia Gannoum; ao enviado especial de Agricultura para a COP30, Roberto Rodrigues; à enviada especial do Setor Empresarial para COP30, Marina Grossi, e ao diretor substituto do Departamento de Política de Mitigação e Instrumentos de Implementação do Ministério do Meio Ambiente e de Mudança do Clima, Leandro Gomes Cardoso.

Declarações dos porta-vozes das organizações:
"Para que o transporte internacional possa de fato atingir suas metas de descarbonização, é indispensável ensar nos biocombustíveis sustentáveis como solução legítima, que alinhe competitividade com critérios de sustentabilidade robustos, agregação de valor e criação de empregos qualificados em novas cadeias intensivas em tecnologia", afirmou a diretora executiva do iCS, Maria Netto.

"O Brasil reúne os principais ativos para liderar a descarbonização dos transportes internacionais com biocombustíveis sustentáveis: empresas inovadoras, expertise técnica, domínio tecnológico e condições naturais propícias", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

"O CEBDS tem proposto soluções concretas para a descarbonização, como a Coalizão de Transportes, que entregamos em maio ao presidente da COP30. Reunimos mais de 50 entidades e mapeamos 90 alavancas com potencial de reduzir em até 70% as emissões do setor. Entre os principais caminhos está a expansão dos biocombustíveis. Às vésperas da COP, mostramos que o Brasil pode liderar com ação, escala e colaboração", disse Marina Grossi, presidente do CEBDS.

"A construção de uma agenda sólida para os biocombustíveis sustentáveis no transporte internacional passa necessariamente pelo fortalecimento das parcerias com países estratégicos — e a China ocupa papel central nesse esforço. Brasil e China têm capacidades complementares: de um lado, o Brasil oferece escala, recursos naturais e tecnologia; do outro, a China avança na implementação de políticas para descarbonização e inovação industrial. Este evento é um passo importante para posicionar o Brasil como parceiro confiável da China na transição energética global", avaliou Cláudia Trevisan, Diretora-Executiva do CEBC.

"A discussão climática, hoje, é sobre desenvolvimento. Esse deve ser o legado de Belém. O Brasil oferece uma agenda de soluções para o mundo, e os biocombustíveis são exemplos disso. Em um cenário geopolítico de conflitos e incertezas, nossa posição de nação que privilegia a paz será chave na transição climática em curso", afirmou Izabella Teixeira, Conselheira Consultiva e Internacional do CEBRI.

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